Exibição de fotos – Juventude e Desenvolvimento Rural

De outubro a dezembro de 2019, o Prêmio Juventude Rural Inovadora na América Latina e no Caribe (ALC) realizou um concurso de fotos paralelo chamado “Juventude e Desenvolvimento Rural”.

Durante esses meses, recebemos fotos impressionantes de mais de 80 jovens da região da ALC. Algumas retratavam momentos de intenso trabalho no campo, outras mostravam celebrações, paisagens rurais e compartilhamento de conhecimentos tradicionais.

Entre os participantes, selecionamos 10 finalistas para exibir suas fotos durante a cerimônia de entrega do Prêmio Juventude Rural Inovadora, programada para junho de 2020. Devido a pandemia do novo coronavirus, a cerimônia será realizada virtualmente no começo de julho, porém queríamos garantir a realização da exibição e compartilha-la com toda a região. Assim, apresentamos a seguir nossa exibição online.

Te convidamos a conferir as imagens abaixo. Para acessa mais informação sobre os autores e as fotografias, consulte a descrição das fotos ao final desta página ou clique no ícone [i] dentro da galeria de imagens.

Agradecemos, mais uma vez, a todos os jovens que participaram desta iniciativa!

Aproveite!

 

As fotografias apresentadas abaixo estão organizadas por ordem alfabética, de acordo com o primeiro nome dos fotógrafos.

Selecionados

Título: Sorrisos de milho

O trabalho dessas pessoas (que se dedicam a carregar sacolas cheias de milho) é conhecido como “costaleros. Momentos antes da fotografia, um costalero não conseguiu levantar a sacola de aproximadamente 60 kg para o caminhão e o personagem do meio entrou rapidamente para ajudá-lo. A cena gerou um momento cheio de risadas, esforço, magia, porque apesar do trabalho árduo dessas pessoas, sempre há momentos de alegria – um reflexo da vida cotidiana de milhões de trabalhadores agrícolas na América Latina e no Caribe. Alegria que aqui se manifestou com um grande sorriso de todos.

A foto foi realizada em San Pedro Tlanixco, uma cidade indígena de Tenango del Valle, México.

Título: Empreendedorismo e inclusão da população negra

Uma das alternativas adotadas pela população negra tem sido o empreendedorismo, garantindo tanto a inclusão no mercado de trabalho, quanto a autoafirmação e o protagonismo nas questões étnico-raciais. Mesmo assim, a média salarial de um empreendedor negro equivale à metade da média de remuneração de um empreendedor branco. Embora o cenário esteja longe de ser perfeito, a população negra segue desbravando os desafios e exercendo um papel protagonista em diferentes territórios. É o caso de João Paulo de Almeida, 31, jovem empreendedor rural da comunidade Coité Pedreiras, Caucaia/CE. João sempre trabalhou na agricultura, costumava ajudar os pais no plantio de milho e feijão, mas sempre percebia dificuldades e almejava diversificar sua produção. Hoje ele exerce o plantio de hortaliças, como por exemplo, coentro, cebolinha, alface e cenoura. “Minha ideia de negócio surgiu devido a carência, essa dificuldade que as pessoas da minha comunidade tinham para se deslocar até a sede de Caucaia para conseguir alguns produtos que eu vi que tinha como implantar ali na nossa própria comunidade. Então tudo isso me despertou essa curiosidade de empreender”, reforça João. João Paulo desenvolve sua produção no sítio comunitário Ylê Malungo. A produção é vendida na própria comunidade, nas localidades vizinhas ou por encomendas.

A foto foi realizada em Coité Pedreiras de Caucaia, Ceará, Brasil.

Título: Juventude resistindo no campo com sabonetes artesanais de coco babaçu

O cheiro da aroeira, capim limão e o frescor do aroma da laranja doce nos trouxeram possibilidades de continuar resistindo no campo. O nosso grupo de jovens “Juventude Agrícola da Serra” é formado por jovens de duas comunidades do município de Ipueiras, estado do Ceará, Araçás e Baixa Verde e realizamos o beneficiamento do óleo do coco babaçu para produção de sabonetes ecológicos. Junto com o grupo de mulheres quebradeiras de coco babaçu que estão no Projeto Paulo Freire, nós despertamos para a possibilidade de utilizar o óleo para a produção de sabonetes e assim conseguirmos uma renda extra dentro da nossa comunidade, assim como realizar encontros de jovens para falarmos sobre nossos sonhos, sustentabilidade e geração de renda a partir de nossos produtos naturais.

A foto foi realizada em Ipueiras, Ceará – Brasil.

Título: A resistência da pesca artesanal em Caetanos de Cima

Caetanos de Cima é uma comunidade tradicional de pescadores e agricultores que resiste em defesa do seu território e sua cultura. A pesca artesanal é uma das duas principais fontes de sobrevivência dos moradores da Comunidade, e que tem sofrido fortes ameaças de extinção, no entanto, é esperançoso ver uma juventude tão empolgada e orgulhosa de ser do mar, e se afirmar como jovem pescador.

Na foto, jovens e adultos, pais e filhos, levando o paquete do seco para o mar, dando início mais uma de suas pescarias diárias. Um trabalho braçal, que exige persistência, sabedoria, paciência, sincronia e parceria.

A foto foi realizada em Caetanos de Cima, distrito de Sabiaguaba Ceará – Brasil.

Título: Méis de esperança

Cesia Hernández, 23, faz parte de um grupo de jovens dedicados à apicultura. Esta é uma alternativa de trabalho em uma área que pertence ao corredor seco da Nicarágua e que foi afetada pelo clima nos últimos anos, causando enormes perdas na produção de grãos básicos. Além de produzir mel, ela também produz produtos derivados e, juntamente com outros membros da cooperativa de jovens, trabalha no reflorestamento de suas comunidades, a fim de cuidar do meio ambiente e promover produção de árvores floríferas que alimentam as abelhas.

A foto foi realizada na Comunidade Aguas Carlientes, Somoto, departamento de Madriz, Nicarágua

Título: Jovem pescador

Com a vara de pescar na mão, o pescador se lança em sua canoa com a forte intenção de retornar com o pescado do dia. Outros chegam sorrateiramente às margens do pântano na noite escura com a espingarda carregada com a intenção de dar um golpe certeiro que os levará a suas casas com um delicioso lanche, depois de dedicar seu dia aos mais jovens com o trabalho enlameado de plantar arroz. Arroz que pode ser consumido com coco e bocachico (tipo de peixe comum na Colômbia), arroz cultivado com mandioca e queijo. Ou fornecendo arroz àquela pessoa desavisada da cidade que sem perceber, come vorazmente e ouve a ideia deuma Colômbia amarga, sem entender que lá no rio, no mar ou no pântano existem centenas de camponeses que dedicam seus dias ao cuidado de cidades distantes.

A foto foi realizada em La Barra, Buenaventura, Colômbia

Título: Juventude Agro

Com orgulho, Luz Helenga Longa García (30), agricultora e processadora de batata chinesa, mostra o tubérculo, sentindo-se abençoada por seu trabalho, contribuindo para a inovação deste produto. A Asochip, uma associação localizada no Bajo Calima da qual a Luz faz parte, é composta por 119 pessoas, incluindo 30 jovens que fazem parte deste empreendimento, as atividades que realizam são o cultivo da batata chinesa – tubérculo produzido em condições ambientais tropicais úmidas e que também é uma fonte de alimento na dieta de muitas pessoas no país: depois de processado ​​é possível fazer deliciosos bolos, tortas e batatas fritas chinês com ele.

Bajo Calima é uma região o que pertence ao município de Buenaventura, em 2018 foi escolhido pelo Ministério de Vivienda colombiano como um dos quatro centros florestais do país. Dessa maneira, jovens agricultores e empreendedores contribuem para a inovação e o desenvolvimento do setor rural e agrícola, contribuindo para a economia de seu país.

A foto foi realizada em Bajo Calima, Buenaventura, Colombia.

Título: Juventude que ousa lutar

A imagem capturada de uma simples câmera de celular não diminui a beleza do momento e faz questão de evidenciar por entre os feixes de luz que transformam aquela imensa quantidade de lixo recolhida sob o trato. Mostra toda a força de uma juventude que sozinha conseguiu recolher o lixo de uma área de cerca de 5km na região de manguezal.

A foto foi realizada em Acupe, Santo Amaro, Bahia – Brasil.

Título: Alma Kalunga

A foto foi tirada em Vão de Almas, uma das 39 comunidades do território Kalunga, o maior quilombo do Brasil. Essa pequena comunidade deve seu nome ao rio que atravessa o município de Cavalcante, no Estado de Goiás. O jovem Alcenitorres, juntamente com sua família, sacode a mandioca cultivada em sua própria terra. O rio e a terra hoje estão ameaçados pelo projeto hidrelétrico de Santa Mônica. Se realizado, este trabalho contaminaria as principais fontes de subsistência dos Kalunga de Vão de Almas. Alcenitorres entende que o melhor para o desenvolvimento de seu povo é garantir uma economia ecologicamente sustentável que respeite esse direito à terra, que nessas culturas é o mesmo que o direito à vida.

A foto foi realizada em Vão de Almas, Cavalcante, Goiás – Brasil.

Título: Além de um sobrenome

Gabriel Guerrero e o cultivo de café se conhecem há mais de 60 anos. Ele produz de forma sustentável para que seus filhos possam herdar terras férteis. Como as desigualdades na área rural são muito grandes, ele enviou todos os seus filhos para a universidade para que retornem e possam eliminar essas lacunas, ainda que ele não terminado o ensino médio e muito menos iniciado seus estudos superiores. Gabriel Guerrero e filhos compartilham mais do que sangue ou sobrenome, compartilham a visão de que a juventude e o desenvolvimento rural podem coexistir, porque cresceram amando o que sabem. Hoje eles estão agregando valor e inovando com o café, que sempre foi uma commodity.

A fotografia foi realizada em La Coipa, Cajamarca, Peru.